5/06/2005

Carta para reflexão

A UnB é uma instituição que deveria ser modelo para
toda a sociedade, onde os direitos humanos, o
respeito às diferenças, a busca de qualidade de vida
para toda a população deveriam ser metas prioritárias.
É triste ter que estudar mais de 18 anos, realizar um
sonho e acabar entrando numa instituição, que não
treina seus funcionários para, no mínimo, respeitar os
seres humanos, ao contrário, os exclui. No Seminário
“Excluídos da Arca de Noé”, que tratava exatamente da
exclusão na nossa sociedade, fui barrado na entrada.
Após alguns minutos de argumentação, entrei e ouvi um
desaforo de uma funcionária da Reitoria: “Não pense
que estou deixando você entrar, porque você é
deficiente, não tenho nenhuma pena de você”. Espero
que um dia ela entenda o que é direitos humanos e
respeito ao próximo.
Curso o segundo semestre de Serviço Social, apesar de
ser cadeirante e de todas as dificuldades presentes na
nossa sociedade, continuo minha vida normalmente.
Após o Seminário fiquei novamente perplexo, quando ao
sair da Reitoria, um carro estava estacionado em
frente a única rampa disponível para um cadeirante.
Além, de ter sido desrespeitado e excluído no
Seminário, percebi que ainda falta muita consciência,
amor ao próximo e respeito por grande parte de nossa
sociedade, altamente excludente e preconceituosa.
Desde meu ingresso na UnB, mesmo existindo o PPNE
(Programa de Apoio ao Portador de Necessidades
Especiais), pouco mudou no Campus, em relação ao
acesso para deficientes. Muito por falta de vontade
política da Vice-Reitoria, do qual o PPNE é vinculado.
A atual gestão da Reitoria está construindo prédios
novos e esquece o péssimo estado dos antigos, cuja
maioria não tem acessibilidade.
Nas Faculdades de Tecnologia, Direito e Educação
Física, o cadeirante não pode estudar no segundo
andar. No subsolo e no mezanino do ICC existem acessos
precários, faltam banheiros adaptados, rampas,
elevadores, calçadas, etc.
Convido a tod@s a usarem uma cadeira de rodas por um
dia e sentirem na pele o aqui exposto. Causa
estranheza os fatos relatados acontecerem nesta
Universidade. O que aqui se aprende, não se realiza na
prática.
VAMOS NOS AMAR E NOS RESPEITAR!


Brasília, 04/05/05.
José Higino Oliveira Souza

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