1/17/2014

Ao mestre com carinho


Admiro o Luís Fernando Veríssimo. A memória, entretanto, não me permite fixar a data ou o momento em que tive o primeiro contato com as suas crônicas, embora acredite ter sido uma crônica perdida dentro de um livro de português ou em algum paradidático passado nos anos de escola.
Nos reencontramos, com seriedade da minha parte, quando eu estava na faculdade. Comprei vários de seus livros e gostei tanto que os reli diversas vezes em diversos momentos. Eles me acompanharam nos lugares mais improváveis e fizeram parte da minha vida das mais variadas maneiras. Sempre tenho um livro seu à mão para uma leitura leve e descompromissada ou mais densa. Luís Fernando Veríssimo, além de cronista de humor consagrado, aborda assuntos mais sérios com sagacidade.
Mais do que acompanhar seus lançamentos, o autor também serviu de referência. Quantos das minhas observações cotidianas não tiveram uma ponta de inspiração sua? Outro dia até pensei em fazer uma paródia com um de seus textos, mas desisti por achar que seria incapaz de manter o nível do original.
Sou conservador nesse ponto. Considero-me incapaz de transgredir uma obra que admiro. Por esse motivo, fico receoso quando uma das minhas obras ou autores favoritos sofre essa ameaça. Já me decepcionei o suficiente com adaptações de obras que gostava para TV e cinema.
Esse foi um dos motivos, talvez o mais determinante, que me levou a ver “Amor Veríssimo”. A promessa de ver contos levados para a TV despertou completamente a minha curiosidade. Gostaria de ver os temas e como eles seriam abordados. Estava, mais uma vez, cheio de expectativas.
O primeiro episódio da nova série me surpreendeu. Mas foi o episódio sobre timidez que me despertou completamente a atenção. Ver um tema que sempre me foi muito caro, assim como também ao autor, ser abordado de uma forma tão sensível, falando de forma verdadeira e acertada sobre as nossas dificuldades em lidar com nós mesmos e como lidar com o outro no dia a dia foram determinantes no meu convencimento. Já faço planos de acompanhar a série da forma mais fiel possível.
 Mas, por melhor escudo que seja, a timidez sempre cobra o seu preço. O recolhimento em si mesmo nem sempre é a resposta e, como os personagens do episódio “A exploração de Marte”, não se pode deixar a oportunidade passar.

Victor Castelo Branco – cbvictor@gmail.com

8/29/2013

Sobre pessoas e flocos de neve

Tenho 28 anos. Quase 29. Acredito, por conta da minha experiência pessoal, que já vi coisas demais nesse tempo de vida. Deveria ter a humildade de reconhecer, por esse mesmo motivo, que não vi nada ainda. A vida é demasiado complexa para que alguém que nem chegou nos 30 ainda achar que nada mais lhe surpreenderá pelo resto da sua vida. 

Além da contradição, também carrego comigo a curiosidade e a minha capacidade de observação. Gosto de ler livros de história porque concordo com aquela máxima escrita por George Santayana: "Aqueles que não conhecem o passado estão fadados a repetí-lo". Acredito que a história possui um fator fortemente cíclico. E do mesmo jeito que é a história, porque não o mesmo com as pessoas? 

Lembro de ter visto uma série onde uma das personagens advogava que "as pessoas não são flocos de neve". Acredito que o número personalidades é finito. Por mais que todos nós vivamos em locais e sociedades diferentes, possuímos um fundo cultural comum. Claro que esse fundo acaba sendo mais de regras gerais. Não há como se acreditar que vivamos todos sobre o mesmo aspecto cultural. Não vivemos. Mas pelo menos no Ocidente, podemos falar sobre isso sem maiores sobressaltos. 

Meu argumento é: a vida, por mais complexa que seja, é repetitiva. Há um determinado número de situações [pode-se deduzir isso através da observação histórica] e um determinando número de personalidades. Logo, por que não tentar [ênfase no verbo] criar uma forma padrão de reagir a uma determinada situação? 

Acredito que esse é o conceito de policy*. Os dicionários de administração, entretanto, só abordam a policy em termos governamentais e/ou administrativos. E eu pergunto: não será possível se levar esse conceito para as nossas vidas pessoais? 


Inté

4/18/2013

Aula de Economia 01 - Os juros

Imagine um país que vamos chamar de A.

Agora vamos imaginar esse país esteja em um contexto de crise econômica. Para superar contextos de crise, ou mesmo para evitá-los ou diminuí-los previamente, Governos precisam manter a economia aquecida. Para isso, eles buscam investimentos de fora ou os fazem eles mesmos [em conjunto com a iniciativa privada, por exemplo]. Em conjunto, pode-se incentivar que a sua população interna consuma. Aí é onde entra a baixa dos juros.

O Banco Central começou a diminuir os juros e os impostos como forma de manter nossa economia aquecida. Crises econômicas, por mais cíclicas que sejam, tendem a ter efeitos fortes e prolongados. A crise de 1929, só pra citar um exemplo, só chegou ao Brasil alguns anos depois e foi muito severa com a economia do café. Foi nesse contexto que o Governo Vargas precisou agir para comprar, estocar e até queimar café para manter os preços. Hoje em dia, em tempos de maior intedependência, não há como um grande mercado, como a União Européia, pegar uma pneumonia sem que a América Latina pegue um resfriado.

A baixa de juros, embora seja boa para manter a economia aquecida, vêm com uma desvantagem: inflação. Não vivemos, e acho que nunca viveremos, em um tempo onde as pessoas se ajudam sem buscar ganhos pessoais. Se há mais dinheiro correndo no mercado, mais os preços dos produtos devem aumentar. Essa, acredito, é uma das grandes regras: quando mais dinheiro em circulação, maior a inflação. Dessa forma, o Governo deverá sempre injetar dinheiro na economia para cobrir os preços em uma espiral infinita que só vai desvalorizar a moeda como foi nos anos 80/ começo dos 90.

Para controlar a inflação, essa foi a motivação oficial, o Governo foi obrigado a aumentar um pouco a taxa de juros. Meus conhecimentos de economia, infelizmente, não são tão profundos. Não posso cravar a taxa ideal a que deveria subir para dar uma estabilizada. Acho, entretanto, que 0,25% é uma alta muito pequena. Vamos esperar que dê, pelo menos, pra segurar um pouco a onda da inflação.

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Em tempo, um adendo.

Quem coisa é o elemento político. A presidente já faz um comentário antes da reunião e os juros acabam subindo pouco. Alguns setores da oposição até comentaram a notícia em tom de lamento. Uma pena esse peso do setor político na nossa política econômica. Essa é uma medida necessária e precisava ser feita, por mais impopular que seja.


Inté

4/11/2013

Feliz dia do Jornalista


Por ocasião do dia do Jornalista, mas não por causa dele, decidi finalizar a primeira temporada de "The Newsroom". A série, produzida pela HBO, foi ao ar durante junho e agosto de 2012 e mostrou a rotina de uma redação de jornal de tv durante vários dos eventos importantes que mereceram virar notícia durante 2012. Alguns dos assuntos abordados: o início da primavera árabe, a eleição do 112º Congresso, o crescimento do Tea Party nos Estados Unidos e a morte de Osama Bin Laden.

O protagonista, republicano assumido, resolve mudar de postura após a reformulação da sua equipe e do programa que apresenta. A contratação de uma nova produtora, sua ex namorada [e isso aparece muito pouco na trama], acaba por despertar nele uma postura mais incisiva. A explicação dos novos paradigmas do jornal no segundo episódio da série é digna de admiração.

Curioso é perceber como, mesmo longe, algumas coisas não mudam. Há nos Estados Unidos emissoras como a Fox News, que se prestam a atacar o governo democrata e endeusar as atitudes de membros dos partido republicano. Essa atitude é até mesmo motivo de gozação em outros programas, como no SNL.

De forma quase similar, temos no Brasil jornais e revistam que curvam-se aos interesses do maior bolso com a naturalidade de quem toma café de manhã e esquecem da sua função crítica. A crítica, entretanto, acaba levando a uma infrutífera troca de acusações. Por aqui, infelizmente, qualquer provocação ao concorrente é respondida com processos por danos morais e materiais. Uma pena.

Não quero com isso dizer que jornais e jornalistas não devam tomar posição. Como formadores de opinião, talvez fosse melhor para ambas as partes que essa posição ficasse clara desde o início. Isso, acredito, fortaleceria a coerência, a autocrítica e, quem sabe, até melhoraria a qualidade dos veículos de comunicação. Mudar de posição conforme o bolso do patrocinador ou para agradar o dono da caneta governamental só prejudicam a nossa profissão.

O mundo real também aparece muito no universo da série. É nesse aspecto que a série da HBO ganha pontos. Algumas matérias e editoriais se baseiam em depoimentos reais. O editorial, quase sempre incisivo, aborda questões relevantes. Mostro, a seguir, um editorial onde ele faz suas críticas à mídia norte americana. O discurso é digno de aplauso.



A lição que fica, acredito, é a frase do Millôr sobre jornalismo: "Jornalismo é oposição. O resto é armazém de secos e molhados". Recomendo a você que veja a série. São apenas 10 episódios com a qualidade HBO [mesmo nível de Game of Thrones e Mad Men, por exemplo].  Veja. Você não vai se arrepender. E um recado aos meus amigos jornalistas: se essa série não inflamar os seus brios, talvez você esteja na profissão errada.

Inté

4/04/2013

A cortina de fumaça



Quando acompanhava o CQC com mais fervor, lembro de uma entrevista com o Deputado Jair Bolsonaro. Em uma das perguntas, ele se posicionou de forma bem clara sobre como ter educado bem os seus filhos evitava que os mesmos se envolvessem com homoafetivos. Você pode buscar o link no youtube ou clicar aqui.

Eu fechou muito com o pensamento da história cíclica [onde estamos fadados a repetir alguns dos nossos erros do passado. Em termos de Congresso Nacional, então, onde quase não há renovação, acredito que essa teoria é ainda mais forte.

Mas o meu ponto é: deu-se muita repercussão às declarações de Bolsonaro na época. Preta Gil foi convocada na semana seguinte para polemizar com o Deputado e o apresentador do programa, Marcelo Tas também abraçou a causa. O que se viu, após algum tempo, foi Bolsonaro perder quase por completo a sua projeção e, há quem diga, até parte da sua base de apoio.

Concordo que religião é um tema polêmico quando misturado com assuntos de Estado [e não apenas], mas vejo Feliciano como o Bolsonaro de amanhã. Não quero, ao dizer isso, diminuir a importância da luta social que está se travando nos corredores da Câmara dos Deputados [e como eu acho isso importante]. É muito importante que aconteça esse tipo de mobilização. Morei em Brasília por um ano e pude ver como o brasileiro se mobiliza frente às questões colocadas no Congresso Nacional.

Mas outra opção se coloca à nossa frente. E se a eleição do Feliciano for apenas uma cortina de fumaça? Quantos protestos [nacionais ou não] conta a eleição do Senador Renan Calheiros foram feitos  nos corredores do CN após a eleição de Feliciano? E o pior: quem garante que nesse exato momento não está sendo montada a cortina de fumaça que fará o Deputado sair da linha de frente dos holofotes e continuar o seu mandato sem maiores aborrecimentos.

E mesmo que se troque o Deputado por outro do mesmo partido, quem ou o que garante que sua postura não será a mesma ou pior?

O que fica dessa história toda é apenas um fato: precisamos aprender a escolher melhores representantes.

4/01/2013

3/26/2013

Compromisso


Acredito que um dos problemas mais flagrantes hoje em dia é o da tal sinceridade. Vivemos em tempos em que as pessoas querem verdade, mas se contentam com mentira. Quem nunca jogou aquele velho kaô na balada só pra evitar voltar para casa e passar frio sozinho? Nada mais cruel do que uma noite , amigos.

Eu acredito na sinceridade. Acredito que as pessoas devam rasgar seus corações se isso lhes trouxer felicidade. Como diz meu velho amigo, "a vida só se dá pra quem se deu/ pra quem chorou/ pra quem amou/ pra quem sofreu."Acho que as pessoas devem ser sinceras umas com a outras todos os dias. É o que dá a credibilidade na relação. "Reciprocidade é a chave de qualquer relacionamento", já dizia um filme que eu vi.

É muito fácil falar de se rasgar o coração sentados nas nossas cadeiras de escritório. Em verdade, não há analogia melhor: nossas cadeiras de escritório representam nossas zonas de conforto, de onde não sairemos por motivo algum. Uma pena.

Vamos quebrar os protocolos. A partir de hoje eu vou tentar viver com mais sinceridade. Afinal, é pior viver de mentiras, certo?

Inté

Epílogo

Eu ando pensando muito ultimamente e sei a carga de perigo que isso representa. Mas o que se pode fazer?

Penso no quanto me faz falta um local onde exprimir meus pensamentos. E foi onde eu bati no elefante. Por que não aqui?

Vamos bater o centro.

Inté

5/21/2012

Mais estranho que a ficção

Tudo começou com uma palestra. Não lembro o tema. Saí do prédio e entrei no carro. Alguém me acompanha.
De repente, ele me manda sair do carro. Estamos no meio de uma avenida. O carro explode. Nossas vidas estão salvas. Vou pra casa.
Ligo a tv e anunciam uma mensagem. Forma-se a rede de rádio e tv. Uma mensagem da Presidenta: vai censurar a correspondência até que cessem os atentados a bomba que estão matando funcionários públicos. Eu me pergunto: a quem interessaria matar diplomatas?

Mais um fruto da minha mente insana.

3/09/2012

30 Rock - S06E05

Esse é mais um episódio com um claro conflito entre Liz e Jack. O contrato de Liz vai vencer e Jack presume que a personagem de Tina Fey vai simplesmente assinar o mesmo contrato. A face negociadora de Jack já nos foi mostrada por ocasião do contrato do Josh [o ex-terceiro ator do TGS]. Há uma diferença entretanto, Jack está mais frágil em virtude da sua migração para a CabeTown em vez da G&E.  Após um primeiro contato nada satisfatório para Liz, ela busca ajuda e acaba encontrando um instrumento bastante incomum: fitas em que Jack ensina pessoas comuns a negociar como ele. O embate entre os Jacks proporciona momentos engraçados, como o do encontro na sorveteria. No seu esforço de conseguir um contrato melhor, Liz chega até a copiar o topete usado por Jack. 

O encontro na sorveteria, mais que uma prova de que Alec Baldwin tem um grande talento para a comédia, reforça o que vem sendo exposto desde o primeiro episódio: o quanto Jack conhece Liz. O que me chama a atenção é que os personagens conseguem negociar sem por em risco a amizade. Como diz a personagem de Tina Fey, há apenas a demonstração de que a amizade ainda tem espaço para crescer.  Em desenvolvimento paralelo, temos a continuação da saga de Kenneth, que chega a uma revelação sobre o seu futuro: ele deve se desligar da sua atual função na NBC e buscar um emprego de verdade. No seu lugar, surge Hazel [Kristen Schaal]. Será se Kenneth vai mesmo sair do seu amado emprego perto das celebridades? Resposta nos próximos episódios [que ainda não vi]. 


Correndo por fora, temos Jenna e Tracy tendo que se virar pra agradar a um pré-adolescente em seu Bar Mitzvah. Os dois acabam tendo um momento de crescimento pessoal bem interessante. Fica a expectativa de ver esse crescimento nos próximos episódios.

2/22/2012

O Problema do carnaval

Acho que o problema com o carnaval é a culpa. Perdemos o final de uma semana e vamos até o meio da semana seguinte, com a ilusão que vamos resolver alguma coisa no resto dessa semana. Não iremos. Quarta é o dia da culpa, e quinta e sexta são dias em que nada vai se resolver mesmo.

Sou a favor de uma pequena mudança. Acho que o carnaval deveria durar uma semana. Começaria em um sábado de fevereiro e iria até o sábado da semana seguinte, fechando uma semana. No domingo, as pessoas se recuperariam e, na segunda, todos retornariam ao trabalho, contando as histórias e as vantagens.

Que vocês acham?

Inté

2/20/2012

30 Rock - S06E04


Começo essa crítica pedindo desculpas. Sei que 30 Rock já está no 8º episódio. Fiquei meio retido essas semanas. Vou tentar acompanhar.

Após 3 semanas de conflitos Liz – Jack, temos o primeiro conflito Liz – Jenna, que acontece porque o status de estrela média da atriz finalmente lhe subiu à cabeça em um nível insuportável. Ri muito com as aparições do “Charlie bit my finger” e das outras estrelas.

Outro ponto de positivo de 30 Rock nesse episódio foi a gozação aos filmes de relacionamentos [esses filmes cheios de celebridades que se encontram e têm uma relação]. O SNL, programa em que 30 Rock é baseado, já tinha feito algo parecido, uma vez que o Seth Meyers gravou um filme assim. Gostei da participação de alguns atores reais e alguns do SNL. Ficou legal.



Outra coisa legal do episódio foi o início do fim de uma era. Jack quer terminar o Page Program e isso afeta Kenneth. O fato de o terem substituído por um computador [que se chama Não Kenneth] acabou sendo bem irônico. Por mais que as coisas tenham voltado ao normal, a impressão [a ser confirmada nos próximos episódios] é que foi dado um passo sem volta.



E temos Tracy de volta! Ele, que tinha aparecido como secundário até agora voltou a ter um pouco mais de atenção. Infelizmente, sua participação acabou indo mais para o drama, uma vez que sua trama girou ao redor do fato de um erro impresso no seu convite de aniversário. A reflexão, infelizmente, acabou sendo bem mais egoísta e materialista que gostaríamos.

Inté

2/18/2012

Budapeste

"Devia ser proibido debochar de quem se aventura em língua estrangeira."

Chico Buarque

2/11/2012

O país do "faça o que quiser".

Saudações a todos.

Parto do pressuposto que você, leitor desse texto, leu a HQ do Alan Moore "V de Vingança". Se você leu, pode ir para o segundo parágrafo. Para quem não leu, leia. Será bom pra você. Mas o espírito aqui é um pouco mais libertário, como se verá a seguir.

Acredito que vivemos em uma época particular. Acredito que estamos no começo de uma onda conservadora. Para constatar isso, basta olhar ao seu redor. Estamos cercados de templos religiosos que dizem às pessoas o que comprar, o que fazer e, principalmente, como pensar. Mas essa onda não é apenas religiosa. Nossos telejornais, nossas revistas e até mesmo os nossos círculos pessoais fazem as mesmas coisas. Quem nunca viu uma opinião escondida em uma notícia ou mesmo em um comentário dito "inofensivo"? Não há mais inocentes [pelo menos entre os ditos formadores de opinião].

O ponto que eu quero marcar aqui é que não irão faltar pessoas pra te dizer o que fazer. O que eu acho que nem todo mundo percebe é que o quanto essas pessoas querem moldar o comportamento alheio. Eles querem que você faça coisas que eles não fazem ou que talvez nem defendam por conta dos seus interesses. É uma pena que as pessoas se anulem dessa forma.

Vi, dia desses, que muitas pessoas, em seus leitos de morte, se arrependem de não terem feito o que queriam. Meu ponto é exatamente esse: faça o que você quiser. Viva, leia um livro, compre um chapéu, coma todo o chocolate que quiser, não pague a fatura toda do cartão de crédito... Acho que seria mais interessante que a vida fosse vivida se cada um vivesse dentro dos seus próprios termos.

Acho engraçado um filme que vi a algum tempo. O Woody Allen aconselhava um jovem escritor a dizer, sempre que alguém lhe dissesse como viver a vida, concordar, elogiar a idéia e fazer o que lhe desse na telha. Talvez esse princípio anárquico seja necessário. Acho até que Woody tem uma boa resposta. Nada mais interessante do que ludibriar uma pessoa fazendo-a achar que ela tem alguma influência na sua vida. Realmente genial.

Devo fazer uma ressalva, entretanto. Não endosso que as pessoas começem a agir como legítimos filhos da puta ou como criminosos. Não é porque você quer um iphone novo que você vai jogar uma pedra no vidro da loja, pegar o telefone e sair correndo. Bom senso. Bom senso. Se você quiser continuar agindo como uma pessoa altruísta, ótimo. Se você quer fazer chapinha e bancar o emo, fique à vontade. Mas não venha quebrar a lei e por a culpa em mim. Não quero a culpa de ninguém além da minha.

Não quero aqui, dizer o que você deve fazer. Novamente, eu reforço: faça o que você quiser [prestando atenção na ressalva acima]. E, se você quiser continuar vivendo sob os termos das outras pessoas ou me mandar ir à merda nos comentários, fique à vontade. Aqui ninguém é obrigado a nada.

Inté

2/04/2012

30 Rock - S06E03


O 3º episódio da 6ª temporada de 30 Rock começa com a adição de um novo elemento à confusão causada por Tracy Jordan: Devon Banks, opositor declarado de Jack aparece e faz exigências para não fazer divulgação do material do show de humor de Tracy.



O relacionamento de Criss e Liz permanece conflituoso quando esta releva que precisa da aprovação de Jack [seu mentor] para continuar. O fato de Jack ter sido o patrocinador do empreendimento do namorado de Liz acaba servindo como desencadeador de um conflito entre os 3. Aqui, conhecemos o sistema de aprovação de Jack e sabemos como Liz vê a si mesma em uma cômica referencia a Star Wars.



A Confusão dos Idiotas e a participação de Kelsey Grammer acabaram ficando em segundo plano. O primeiro gerou algumas boas risadas com a declaração/ crítica de desculpas de Liz e a participação de Denise Richards.

Já Kelsey ficou aquém do seu potencial. Sua participação ficou a segundo plano demais e acabou nem sendo engraçado. Fica aqui a esperança que ele retorne em episódios futuros, mas que seu talento seja melhor aproveitado.



Gostei muito do final do episódio, mostrando Liz novamente com Criss. Fomos apresentados a uma personagem segura das suas vontades e que vai atrás do que quer. Ela é uma mulher diferente da Liz que vimos nos últimos episódios, mas vista com alguma frequência. Pena que ela não se posicione assim mais vezes.

Pena que o prognóstico do namoro não seja bom. Já tivemos vários atores famosos atuando como namorados de Liz [Matt Damon, Jon Hamm, só pra citar alguns] ou como namoradas de Jack [Julianne Moore e Jennifer Aniston] e nenhum deles durou na série. Vamos alimentar as esperanças e rir enquanto o sentimento durar. 

1/27/2012

30 Rock - S06E02


O segundo episódio de 30 Rock é duplo [People are idiots two, título do episódio, acaba entregando] possui elementos que já foram vistos em momentos anteriores da série: Tracy fez uma declaração falando mal da comunidade gay norte americana e, claro caberá a Liz apagar esse incêndio. A forma como ela o faz, entretanto, acaba gerando uma segunda reação: a organização dos idiotas. Situação que deve render muito ao personagem de Liz, uma vez que os idiotas são os maiores consumidores do seu show.



Outro fator que volta a ser destaque é a vida pessoal de Liz. Somos finalmente apresentados a Criss, um empreendedor que busca uma pessoa que queira investir no seu negócio de cachorro quente. Mas isso não é o mais importante. Em virtude da relação próxima entre Jack e Liz, esta precisa que ele aprove seu relacionamento, embora tenha reservas em apresentá-los.

Para mim, o ponto alto do episódio foi o almoço entre Criss e Liz com a participação do Jack. Foi muito engraçado ver seus comentários sarcásticos, mas sem esquecer que quem os fazia era a própria Liz pensando como Jack. Ótima forma de retomar o que foi mostrado no episódio anterior.



Correndo por fora, temos a situação armada pela dupla Kenneth-Jenna com a participação do Pete. Ela rende alguns momentos engraçados, mas deve ser melhor aproveitada no próximo episódio. Temos o retorno de Kelsey Grammer à série, embora ainda não esteja claro qual o papel que ele irá representar [na sua primeira participação, ele ajudou a dar um golpe em uma loja de bolos].



Há, ainda, pequenas referencias: a crítica a pessoas chamadas Barack, uma pontada nas celebridades b e uma pequena referencia ao show de Jenna, mas nada que influencie ou aponte direções futuras da trama. 

1/20/2012

30 Rock - S06E01


O episódio da 6ª temporada começa fazendo uma paródia bem humorada de shows de talentos como American Idol. Entre os juízes, personagens que já apareceram no programa, está Jenna, fazendo o papel de Simon. A paródia de uma paródia.
Não me agradou Jenna estar fazendo uma paródia de Simon. Posto dessa forma, parece uma homenagem e, considerando o que já vimos antes no programa, acredito que deveria ter sido um pouco mais sutil e a forma como Jack procura forçar as atitudes de Jenna em relação às crianças acaba dilapidando a credibilidade de programas do gênero. Mas quem acredita que isso não acontece na vida real?

O plano mostra a seguir uma conversa entre uma cantante e bem humorada Liz e Jack. Aqui temos o retorno de uma amizade que permeia todas as seis temporadas e a constatação de que Jack conhece Liz muito bem. Correndo por fora como situação secundária, temos, novamente, a gozação sobre as crenças religiosas radicais de Kenneth.
O bom humor de Liz Lemon é reforçado o tempo todo durante o episódio, chegando a ser cansativo em alguns momentos. Mas ele gera situações engraçadas, como a investigação que Tracy faz e a hilária conversa entre este e Jack. A conclusão, embora possa enganar em um primeiro momento, revela-se mais complexa nos minutos finais do episódio.

O destaque do episódio, entretanto, é o personagem de Alec Baldwin. Neste primeiro episódio, vemos seu personagem sair de momentos “homem de negócios” para uma pessoa inundada por emoções. O momento da conversa entre ele e a filha é o seu ponto mais alto.
A forma como a crença religiosa de Kenneth foi explorada também ficou aquém do esperado. Os demais personagens secundários lhe pregaram peças costumeiras e ficou a cargo do Pete salvar o dia. Acho que, se fosse para fazer graça, as situações deveriam ter apresentado algum tipo de abordagem nova e não repetir o que já foi feito em episódios anteriores.
Um aspecto final chama a minha atenção, entretanto. Houve várias referências à mãe de Liddy, Avery Jessup. Devemos esperar o seu retorno a 30 Rock ou essa trama irá se perder nos próximos episódios? Espero ver mais desdobramentos da situação em breve. 

12/03/2011

31 Canções - Nick Hornby

Especial para Cindy Ceissler. 

Se você ama uma canção, ama-a o bastante para que ela o acompanhe por diferentes fases de sua vida e daí qualquer lembrança específica se apaga com o uso.

Mas às vezes, muito ocasionalmente, canções, livros filmes e fotografias expressam perfeitamente quem você é. E não fazem isso necessariamente por palavras ou imagens; a associação é muito menos direta e muito mais complicada que isso.

Dave Eggers tem uma teoria de que ouvimos certas canções repetidamente, aqueles de nós que o fazem, porque temos que “liquidá-las”, e é verdade que, no princípio do nosso namoro com uma nova canção, existe uma fase semelhante a uma espécie de perplexidade emocional.

Para mim, aprender a amar canções mais calmas – canções de country, soul e flok, baladas cantadas por mulheres e cantadas ao piano, viola ou uma porra dessas canções harmoniosas com nomes como “Carey” (porque qual a pessoa com um par de ouvidos que não adora Blue? – não tem a ver com ficar mais velho e sim com o fato de adquirir confiança musical, capacidade de julgar por mim mesmo.

Só posso dizer que consigo ouvir coisas que não estão ali, ver e sentir coisas que normalmente não consigo ver e sentir e começo a perceber que, sim, existe algo como uma alma imortal ou, no mínimo, uma consciência humana unificadora, que nossas vidas são curtas, mas têm um significado.

A melhor música conecta-se à alma, não ao cérebro e temo que toda essa devoção a Dylan seja de algum modo antimúsica – que ela nos cause a impressão de que o coração não conta e só a cabeça importa.

Se conseguirmos ouvir Dylan e os Beatles em sua forma inequivocamente mais pura no seu auge – mas uma forma inequivocamente pura de um jeito que não ouvimos mil, um milhão de vezes antes – nós de repente obteremos um pequeno mas eletrizante lampejo do espírito deles e isso é o mais próximo que aqueles de nós nascidos na época errada chegaremos a saber de como deve ter sido ouvir essas músicas jorrando do rádio quando não se esperava por elas, nem por nada como aquilo.

Em outras palavras, letras de amor são como um instrumento musical e canções de amor tornam-se de algum modo pura canção. Talvez seja isso que dê a vantagem a “You had time”: nossas separações, no fim das contas, têm mais melodia do que nosso trabalho.

Mas meus solos favoritos são aqueles que de alguma maneira mostram que o solista sentiu a canção, as palavras, a música e tudo o mais, sentiu a canção e captou sua verdadeira natureza, o que torna o solo não só uma reinterpretação imaginativa dela, mas também expressa e contribui para seu sentido e essência como um comentário crítico prático e brilhante.

É importante que ocasionalmente, talvez até com mais frequência, fiquemos deprimidos por livros, sejamos desafiados por filmes, chocados por pinturas, até mesmo perturbados pela música. Mas será que eles têm que fazer essas coisas o tempo todo? Não podemos deixar que nos consolem, elevem, inspirem, emocionem, alegrem? Por favor. Só de vez em quando, quando temos um dia realmente de merda?

Só quando conhece e ama uma banda é que você se torna o tipo de crítico de música que quaisquer revista e jornal deveriam contratar.

O acorde, o mais simples componente para até mesmo a mais banal e tola canção de parada de sucesso, é uma coisa linda, perfeita, misteriosa e, quando um brutamontes pouco instruído, inculto, rude, emocionalmente ignorante junta alguns desses acordes, tem toda a possibilidade de criar algo maravilhoso e poderoso.

[...] A música serve como forma de auto-expressão mesmo para aqueles de nós que conseguem se expressar razoavelmente bem pela fala ou pela escrita [...]

Não posso mais me dar ao luxo de ser um presunçoso do pop e se lá fora existe um trecho de música que tem a capacidade de me comover, então quero ouvi-lo, não importa quem tenha feito.

9/26/2010

Por que eu amo 30 rock

Quando eu conheci 30 Rock, quis assistí-la, já que essa comédia estava sendo muito bem comentada.

O que eu posso dizer, após 4 temporadas, é a minha surpresa positiva. A história é muito bem construída. Pode-se dizer que o programa deixou de ser sobre o conflito entre os personagens da Tina Fey e Alec Baldwin (1ª temporada) para se transformar numa relação de amizade (2ª temporada em diante).

Mas o que realmente chama atenção é o roteiro. As situações são bem construídas e casa episódio tem suas consequências, mesmo que não seja imediato. Essas situações respondem a grandes dilemas, relativos ao nosso cotidiano.

Outra coisa que chama atenção são as citações. Em cada episódio existe uma citação, quase escondida, a alguém do mundo artístico ou dos negócios. A minha preferida é quando Don Gueiss compara Tina Fey a Leona Helmsley. Simplesmente impagável.

Para finalizar, faltam as participações especiais. Várias personalidades já passaram pelo 30 Rockfeller center: Gladys Knight, Al Gore, Alan Alda, Steve Buscemi, Edie Falco, Michael Sheen e Jack Welch. Presenças que só tornam a série ainda melhor.

Uma série que, sem dúvida, vale a pena.